28 março 2007

Quem é Jesus


Saber quem é Jesus não será, com certeza, um obstáculo muito difícil. O mais complexo é conseguir conhecê-lo criando um relacionamento que ultrapassa o mero conhecimento. Se recorrermos aos Evangelhos, podemos saber quem é Jesus e quais as maravilhas que fez. Porém, para aprofundar este conhecimento, é necessário entrar num diálogo com Ele, um desafio que não é fácil.
É nesta perspectiva que se encontram as duas grandes capacidades de compreender: a fé e a razão. São, efectivamente, estas capacidades que determinam o relacionamento de cada pessoa com Jesus, pois tanto a fé e a razão são uma exigência de grande importância para este contacto entre o eu e o Outro.
Jesus, em poucas palavras, é a face humana de Deus. É um homem que apesar de ser divino, quis assumir a realidade humana para que nós, homens, pudéssemos assumir a realidade divina, entrar em contacto com Ele, ouvindo o anúncio do Reino, experimentando a sua bondade para com todos os homens e, fundamentalmente, sermos o reflexo de Deus de misericórdia para todos os homens.
Contudo, Jesus veio mostrar igualmente até onde chegam as contradições humanas, permitindo que O humilhassem e matassem de uma maneira tão brutal. Porém, foi com a consciência do seu pecado que o homem descobriu que Jesus era, verdadeiramente filho de Deus e, sendo de condição divina, venceu a morte ressuscitando ao ter terceiro dia.
O Filho de Deus anunciou ao Homem que a felicidade não está na riqueza, na gula ou no prazer, mas sim na pobreza, na humildade, no desapego e no arrependimento. Tornou-o visível durante a Sua vida terrena: nasce num estábulo; cresce numa casa sem qualquer luxo; trabalha com S. José para conseguir dinheiro para o sustento da família; de Nazaré e na sua vida adulta vai de terra em terra sem ter onde comer nem onde declinar a cabeça.
Apesar da sua condição divina, durante a sua vida, assume atitudes completamente humanas, isto é, mostra a fúria no templo quando desvirtuam a sua função sagrada, chora e pede que seu Pai lhe afaste o cálice e o peso da cruz, sofre durante toda a sua paixão e morre naturalmente como um ser humano, desprezado e abandonado por todos.
Ao conhecer-se Jesus como ser humano pode-se, sem dúvida, perceber que apesar de ser homem, Ele é de condição divina, demonstrando-a nos milagres, nos gestos de acolher e perdoar os pecadores, na sua vitória sobre a morte e, finalmente na sua ascensão ao céu para junto de Seu e nosso Pai, indicando-nos que é por lá que nós peregrinamos.
É o Jesus, Filho de Deus, que nós homens adoramos e com Ele partilhamos a nossa vida. Jesus, Filho de Deus vivo é, evidentemente, o Jesus da Eucaristia que podemos encontrar no silêncio do sacrário e comungar o seu corpo e sangue na celebração da missa. É ele que dá ao homem a força necessária para enfrentar o dia-a-dia; é Ele que orienta a humanidade para a harmonia e a comunhão fraterna. Assim, não tenhamos medo porque o limite do amor de Deus é o amor sem limites, porque está sempre connosco até ao fim dos tempos.
A fé é muito importante para compreender Jesus e o mistério da Sua vida e, consequentemente, é necessário redescobrir no silêncio a Sua presença actuante. Enfim, temos que ter esperança e uma paciência escatológica para vivermos tempos favoráveis, tal como Jesus teve que esperar, sofrendo, para alcançar a vitória: “A Primavera virá depois do Inverno, a Ressurreição vira depois da Cruz”. Por isso não tenhamos medo porque a vitória do amor, da felicidade, da esperança, da misericórdia e da reconciliação são o fruto do sacrifício de quem esperar e adivinhar um novo Céu e uma nova Terra.

21 março 2007

J.S. Bach - Toccata und Fuge BWV 565

Johann Sebastian Bach


Johann Sebastian Bach nasceu em 1685 em Eisnach, uma pequena cidade da Turíngia, na Alemanha. Naquela época, a Alemanha não era um país, mas uma reunião de pequenas cidades, condados, ducados e principados, cada um deles com um governo próprio. Mais jovem de oito filhos de pais músicos, Johann Sebastian Bach foi destinado a se tornar um músico, ao mesmo tempo que desenvolvia estudos elementares. Johann principiou seus estudos musicais com seu pai, Ambrosius. Ainda jovem, tinha dominado o órgão e o violino, e também era um cantor excelente.Ficou órfão aos dez anos, indo morar com um irmão mais velho Johann Christoph, que continuou seu treinamento musical. Sempre foi interessado em aprender cada vez mais, o pequeno Sebastian não poupava esforços para decifrar os segredos da arte musical. Para aperfeiçoar seu conhecimento, Bach precisava de um livro que o irmão guardava a sete chaves. Argumentou o quanto pode, mas o irmão permaneceu intransigente, proibindo Johann de utilizar seu livro. Para contornar o problema, ele resolveu copiar o livro à mão. Todas as noites, após todos se deitarem, Sebastian pegava o livro de música e varava madrugadas estudando.
Como não podia acender velas para não chamar a atenção do irmão, por muito tempo estudou tendo como única claridade a luz da lua. Esse esforço certamente contribuiu para os problemas de visão que o acometeriam mais tarde. Bach obteve o primeiro emprego no coro da escola de St. Michael em Lüneburg com a idade de quinze anos. Ele fez pequenas viagens, nunca deixando a Alemanha, e assegurou vários empregos durante sua carreira, em igrejas e a serviço das cortes ao longo do país. Em 1703 ele foi para Arnstadt para tomar posse do cargo de organista da igreja de St. Boniface, que se caracterizava pelo sóbrio ritual, pela profunda ligação com a língua alemã e sua música folclórica e, acima de tudo, pela autoritária e puritana atitude que mantinha em relação a seus adeptos.
Apesar da pouca idade, já era um mestre em seu ofício. Não precisava mais de mestres. Durante sua estada em Arnstadt, fez uma viagem a Lübeck (uma jornada de 200 milhas que ele fez a pé) para ouvir o grande organista Dietrich Buxtehude. Esta ausência motivada pela viagem, o fez perder o emprego em Arnstadt, e Bach foi obrigado achar um novo emprego em Mülhausen, em 1706. Todavia, problemas burocráticos acabam fazendo com que ele abandone o cargo. Entre esses problemas está ter introduzido no coral da Igreja Luterana da cidade uma jovem chamada Maria Bárbara, sua prima, com quem se casou em 1707. Ela lhe deu sete filhos durante os treze anos em que estiveram casados. Durante uma viagem do marido, Maria Bárbara subitamente adoece e morre.
Bach permaneceu em Mülhausen durante um ano apenas, antes de assumir um posto como organista e primeiro violino da orquestra na corte do Duque de Weimar. Dentro de um ano Bach casou-se novamente. A filha do trompetista da cidade, Anna Magdalena provaria ser uma excepcional companheira, de grande valor para o compositor. Ele tinha 36 anos e ela tinha 20 anos. A diferença de idade não impediu que eles formassem o mais perfeito casal que a história da música registra. Ao todo, o casal teve treze crianças (fora sete do primeiro casamento). Dez morreram na infância; quatro se tornaram compositores famosos, inclusive Carl Philipp Emanuel e Johann Christian. Anna-Madalena é a autora de um dos mais sinceros testemunhos de admiração por alguém, a " Crônica de Anna-Madalena ". Esse livro de memórias é, do início ao fim, um elogio à pessoa e ao gênio de Johann Sebastian Bach.
Durante a vida, não foi o compositor mais importante da Alemanha (essa posição quem a ocupava era Telemann), mas era conhecido como o maior organista e um virtuose no cravo e no violino. As formas e gêneros de sua arte eram, em geral, os da música italiana contemporânea, mas de genuína inspiração alemã e muitas vezes folclórica. Como dava pouca importância às modas musicais, suas composições, ao longo da vida, tornaram-se pouco conhecidas. Em uma época de predomínio da ópera italiana, género que não cultivou, sua música era um anacronismo que a nova geração de músicos já não compreendia. Tudo isso, aliado à decadência do espírito religioso em sua época, explica a pouca projecção de suas obras durante a vida.
A literatura alemã de seu tempo estava no seu ponto mais baixo. Daí a qualidade pobre dos textos que foram escritos para Bach os transformar em cantatas, textos esses que tentavam exprimir o amor místico ao coração de Jesus, culto que a Igreja luterana do século XVII ainda não tinha abandonado. As cantatas sacras de Bach têm textos bíblicos ou são baseadas nos hinos de igreja, embora algumas incluam, também, poesia. Referem-se ao Evangelho do domingo ou da festa, da ocasião especial como o casamento, o enterro, etc. Na maioria delas, a melodia coral é utilizada como um tema básico que unifica o trabalho. Suas cantatas seculares foram compostas para festividades públicas e privadas e usam textos mitológicos ou alegóricos.
Por obrigação de serviço, Bach compôs, durante anos, um grande número de peças sacras: bem mais de duzentas cantatas, vários motetos, cinco missas, três oratórios, e quatro paixões, uma das quais, A Paixão Segundo São Mateus, é uma obra-prima da música ocidental. Bach também escreveu grande quantidade de música para o instrumento preferido dele, o órgão. Bach, o maior músico do Protestantismo, não ficou limitado pela sua Igreja luterana, escreveu uma missa católica, a Missa em Si menor. Em 1717, Bach passou para outro posto, como Kapellmeister na corte do Príncipe Leopold em Cöthen. Durante os anos em que Bach esteve a serviço das cortes, lhe obrigaram a compor muita música instrumental: centenas de peças para solo de teclado, suites orquestrais de dança, trio sonatas para diversos instrumentos, e concertos para vários instrumentos e orquestra.
Destes, os mais famosos são o seis concerti grossi compostos para o Duque de Brandenburg em 1721, e o Concerto de Brandenburgo Nº 3 que exemplificam o estilo do concerto grosso, no qual um grupo pequeno de instrumentos (neste caso um conjunto pequeno de cordas, com uma orquestra de cordas e contínuo). Da música de Bach para instrumentos de solo, as seis Suites para Violoncelo e as Sonatas e Partitas para Violino Solo estão entre as maiores peças para esses instrumentos. A Partita Nº 3, para violino, contém um exemplo de uma forma de dança popular, a gavotte. Bach passou grande parte de sua vida alternando cargos de organista com o de " mestre-de-capela ", ou seja, responsável pela vida musical de algum principado.
Morou em diversas cidades alemãs: Mühlhausen (1707), Weimar (1708), Köthen (1717) Em seguida ao segundo matrimônio, Bach começou a procurar outro emprego, agora em Leipzig, onde se tornou organista e professor da igreja de St. Thomas. Ao final de 1749, Bach foi operado da vista por um cirurgião inglês ambulante, e os resultados catastróficos desta operação o levaram a cegueira completa. Com a saúde comprometida, não obstante, Bach continuou compondo ajudado por um aluno seu. Ele permaneceu em Leipzig o resto da vida dele, onde morreu no dia 28 de Julho de 1750. Foi enterrado num sepulcro sem marca na igreja de St. Thomas. Bach trouxe o majestoso estilo polifónico do Renascimento.
Em geral, foi um conservador musical, que alcançou alturas notáveis na arte da fuga, polifonia coral e música para órgão, como também em música instrumental e formas de dança. A aderência dele para as formas mais antigas o fez ganhar o apelido de " the old wig " (peruca velha) dado pelo seu filho, o compositor Carl Philip Emanuel Bach. Contudo, sua música permaneceu viva e estudada pela próxima geração de compositores. A descoberta da Paixão segundo São Mateus em 1829, por Felix Mendelssohn, iniciou o movimento por reavivar e executar a música instrumental mais antiga. Com a morte de Johann Sebastian Bach em 1750, os estudiosos de música marcam o fim da idade Barroca.

20 março 2007

O papel das religiões na paz mundial


Religião e paz sempre estiveram de mãos dadas. São dois campos que se interligam, se completam. Neste sentido a Sua Eminência Senhor Cardeal D. José Saraiva Martins, convidado pela Federação Nacional de Estudantes (FNET, proferiu uma conferência intitulada "O papel das religiões na paz mundial".
Com uma audiência de 500 pessoas o Senhor Cardeal centrou um objectivo primordial para todas as religiões, ou seja, a todas elas se pedem uma nova cultura da paz. Nesta linha, a Igreja Católica tem contribuído bastante para que este ponto funcione: promovendo a paz, possuindo documentos sobre a paz, instituiu o dia mundial da paz, realizou o encontro ecuménico de Assis...
Outras confissões têm feito a sua tentativa para que a chama da paz incendeie a sociedade, por vezes bombardeada pelos seus radicalistas que não percebem que nunca haverá paz se os direitos dos outros povos, mesmo vulneráveis, não forem respeitados.
A actualidade revela um panorama bastante difícil para a sobrevivência de um ambiente pacífico no mundo. O relativismo radical que se vive resulta de um estar extinto de valores, cheio de ofensas, a certeza converte-se em indiferença, ignora-se a dignidade humana.
Ao analisar os séculos XX/XXI, a história da humanidade está envolvida pela nuvem do terrorismo dividida especialmente em 4 grandes partes, 4 enormes guerras. As duas primeiras de "estilo clássico" são a 1º guerra mundial em 1914 e a 2º no ano de 1939. Seguidamente gerou-se a guerra do medo, da ameaça, do silêncio que se pode considerar como a 3º grande guerra, por outras palavras, a guerra fria a partir de 1945 entre os Estados Unidos da América e a URSS, actual Rússia. O século XXI vive a 4º grande guerra; a guerra que o homem tenta conquistar fins sem olhar a meios.
Ouve-se cada vez mais afirmações em que se tenta legitimar o terrorismo; definitivamente, um acto terrorista não é uma via ideal para restabelecer a justiça e a paz, isto porque existem violações de direitos humanos e mortes de inocentes. É necessário interrogamo-nos se a guerra é a melhor resposta à paz mundial. Não podemos reflectir e concluir à priori,mas sim que verifiquemos os resultados desastrosos que a guerra teve ao longo da história. São vários os tipos de guerra que envolvem a sociedade: o choque de civilizações e culturas na qual a desigualdade e a servidão são os pontos fortes, pois os direitos humanos são dados apenas a algumas camadas sociais; a guerra preventiva domina cada vez mais esta aldeia global em que o poder nuclear substitui o diálogo; a guerra apoiada com a mentira da paz.
Neste panorama tão negro, as religiões devem assumir uma posição de modo a impedir que esta situação cresça. Contudo, cada confissão e/ou religião só poderá assumir um papel na paz mundial se se encontrar em paz interior. O Santo Padre Bento XVI tem-se pronunciado sobre o problema afirmando que "a pessoa humana é o coração da paz" e, deste modo, é necessária uma "ecologia humana" que transforme um ser humano corrompido, egocêntrico num novo homem, num instrumento da paz.
Neste sentido, o Sr. Cardeal ao findar a sua conferência apontou um caminho, em forma de decálogo, que eu subscrevo como conclusão de todo este texto:
"1. As religiões devem rezar a paz; libertar o coração do mal; saber amar; a paz é um bem do alto que todo o homem deve pedir.
2. As religiões devem empenhar-se em favor da paz acusando a violência e aprendendo a conviver juntas.
3. Os crentes são chamados a promover a educação para a paz, ensinar para a paz.
4. As religiões preocupem-se em preparar homens e mulheres para velarem pela paz.
5. Todo o homem deve basear-se na verdade, na liberdade, na justiça e no amor.
6. As religiões não se devem converter em partidos políticos.
7. As religiões não podem ignorar, é preciso promover a justiça e o desenvolvimento. A terra é de todos antes de ser de cada um dos habitantes.
8. As religiões devem promover a cultura da paz, a cultura do diálogo.
9. As religiões são chamadas a promover diálogos para resolver problemas, a criar iniciativas.
10. As religiões devem estar plenamente convencidas que a sua função deve ser decisiva para a sociedade actual."

19 março 2007


"Cada criança que nasce no mundo, traz consigo a mensagem de que Deus ainda não perdeu a esperança no homem." (Autor desconhecido)

18 março 2007


Soren Kierkegaard escreveu com uma eficácia singular: “Em Cristo, os dois mundos desde sempre separados, o divino e o humano, entraram em rota de colisão. Uma colisão destinada não a provocar explosão, mas um abraço”. É esta a novidade do cristianismo com a sua Boa Nova e que é esta: Deus procura o homem!
Evidentemente que é nesta procura que está saliente a relação entre diversos campos do imenso oceano teológico. Durante toda a existência humana, diversas questões fundamentais apareceram: Quem é o homem? Que é homem?
A antropologia continuamente procura resposta para estas interrogações complexas. Contudo, o homem tem sempre inteligência para revelar algumas soluções para as mais complicadas perguntas. Mas, após descobrirem algumas respostas descobrem um enorme novelo de interrogações, o qual dificilmente se obtém resposta exacta: relação entre Deus-Homem, tanto à escala individual como à escala social. Neste mar de questões se encontram grandes aspectos da teologia como o pecado, a justificação, a graça e a consumação. Poderemos chegar a uma conclusão? Sim: a vocação humana é ser imagem de Deus em Cristo, tal como dizia Ludwing Wittgenstein: “Pensar sobre o sentido da vida é rezar. O sentido da vida podemos designá-lo Deus”.
Fiodor Dostoievski ao escrever a Natália Fonzivina exprimia-se destes modos: “…se acaso alguém demonstrasse que, efectivamente, a verdade não está em Cristo, mesmo assim eu preferia permanecer com Cristo do que com a verdade”. Cristo é, claramente, a verdade e a vida e, deste modo, o exemplo para cada homem. Com a graça de Cristo a humanidade é resgatado do pecado, sendo introduzida na santificação que activa o Espírito Santo.
Resumindo, o homem vai em liberdade fazer a sua salvação, mas atraído e dirigido pela acção de Deus em virtude da graça de Cristo.

15 março 2007

Taizé - Fonte de Espiritualidade



Taizé - Encontro Europeu em Zagreb (Croácia)