09 fevereiro 2008

Ecos de um retiro...

Retirar...fazer silêncio para quê? Penso que o silêncio humano tem um objectivo que tranforma uma ideia assustadora numa presença, ou seja, a presença de Deus. Sim, Deus muitas vezes manifesta-se pelo silêncio, algo que é dificil de descobrir numa sociedade barulhenta.
É no silêncio e no amor pelos outros que encontraremos Deus. "Todo o amor é uma espécie de loucura aos olhos dos outros"; a cruz é esta mesma loucura da humanidade de Cristo que transmite todo o seu amor através do seu sofrimento silencioso.
Necessitamos cada vez mais de conhecer Cristo, conhece-Lo é ama-Lo e amar o próximo. Fundamentalmente, conhecer é amar e amar é conhecer.
A relação com de Deus é sempre uma acto de amor, é através deste amor que podemos entrar no Seu mistério infinito. Porém, é necessário conhecer os nossos próprios limites; saber que a nossa limitação não é capaz de conhecer, totalmente, este Ser ilimitado e, neste sentido, perceber que nunca acabamos de começar, seremos sempre inicialistas. Nesta linha, aperfeiçoar o nosso relacionamento será mudar muitas vezes, pois permanecendo num mesmo sentido acabamos por cair em monotonia.

23 dezembro 2007

Tony Blair converte-se ao catolicismo

A Igreja Católica na Inglaterra confirmou oficialmente a conversão ao catolicismo do antigo primeiro-misnitro britânico, Tony Blair, acontecimento recebido com satisfação pelo Vaticano.

“Os católicos ficam sempre satisfeitos por acolherem na sua comunidade quem quer que tenha feito um caminho sério, de reflexão, para o catolicismo”, referiu à AFLP o director dos serviços de informação do Vaticano, Pe. Federico Lombardi.


A entrada de Blair, de 54 anos, na “plena comunhão da Igreja” foi anunciada esta Sexta-feira pela arquidiocese de Westminster. O Cardeal Murphy O’Connor mostrou-se “muito feliz” por acolher o actual representante do Quarteto para o Médio Oriente.


A nota oficial da arquidiocese britânica precisa que Blair “participou regularmente, durante muito tempo, na Missa com a sua família e nos últimos meses seguiu um programa de formação para preparar a sua entrada na comunhão plena” com a Igreja Católica.


in Agencia Ecclesia

05 dezembro 2007

SERÁ NECESSÁRIO RECICLAR O NATAL

Nos tempos em que a ecologia é um tema fundamental para a sobrevivência da vida animal e vegetal, também se necessita cada vez mais reciclar os comportamentos, os ideais e, sobretudo, a mentalidade humana. Mas neste texto, a época natalícia é o único alvo de reflexão.
Para toda a comunidade cristã, o Natal é a solenidade que celebra o nascimento de Jesus Cristo. Ainda sendo uma festa cristã, é encarado universalmente como o dia dedicado à família, à paz, à fraternidade e à solidariedade entre os homens.
A significação da palavra indica-nos muitas vezes o verdadeiro sentido da palavra. Assim, o vocábulo “Natal” nas línguas latinas deriva de “Natividade”, natividade esta que representa o nascimento de Jesus. No mesmo sentido, a palavra inglesa “Christmas” significa, literalmente, “Missa de Cristo”; “Weihnachtem”, termo alemão utilizado nesta época designa “Noite Bendita”.
A história da humanidade revela que esta festa era celebrada em Roma no ano 336 d.C. pois até aí o cristianismo primitivo dedicava-se a celebrar apenas a Paixão e Morte de Jesus, isto porque não era hábito comemorar os aniversários natalícios. No século IV o Papa Libério instituiu oficialmente o dia 25 de Dezembro para a celebração do Natal.
Durante muito tempo, o Natal não fugiu do seu sentido sendo celebrado como uma data de extrema importância, era a data em que se celebrava a vinda do Messias que veio viver entre os homens para os salvar de todo o mal e de todo o pecado. Infelizmente, nos últimos tempos o Natal foi um motor para transformar o mercado consumidor. Os meios de comunicação servem-se desta época para, através do marketing, angariar dinheiro das marcas; nos locais de venda, alimentos são substituídos por brinquedos; as crianças, não sendo responsáveis nem auto-sustentáveis, são o verdadeiro alvo das vendas, o principal consumista; o sujeito da celebração, o menino Jesus, foi substituído por uma personagem vestida de vermelho e barba branca, o pai-Natal.
A deformação natalícia é visível cada vez mais. O presépio, criado por S. Francisco de Assis em 1223, com a Sagrada Família e dois animaizinhos foi trocado pelo presépio consumista, isto é, uma casa com um velhinho vestido de vermelho sentado num cadeirão à porta de, observando os embrulhos que o envolvem para distribuir pelas crianças bem comportadas.
Não estará sendo, também, esta personagem alvo de deterioração significativa? Não era apenas uma personagem distribuidora de presentes? Não será agora um objecto utilizado pelas famílias, para esconder a incapacidade de educar as crianças sem qualquer tipo de interesses? Não estaremos a criar negociadores infantis?
Penso que é urgente reciclar o Natal, voltar ao seu verdadeiro significado. Porém, para começar este processo de reciclagem é necessário uma peça-chave: mudança de mentalidade da sociedade.
Seremos capazes de reciclar o Natal?

28 novembro 2007

Breve comentário sobre o ministério de Leitor

Leitor (Do latim Lector: aquele que lê) é um membro da Igreja Católica instituído para o ministério que lhe é próprio, o qual é fazer a leitura da Palavra de Deus, na assembleia litúrgica. E assim, tanto na missa, como nos outros actos sagrados, é o responsável por proferir as leituras da Sagrada Escritura, excepto o Evangelho e, ainda, as lições da Liturgia das Horas. Ademais, é-lhe conferida a missão especial,dentro do povo de Deus, de instruir na fé crianças e adultos, para receberem dignamente os sacramentos. O Cerimonial dos Bispos traz cerimónia própria para a instituição deste ministério e ressalta que: "pode ser conferido a fiéis leigos, homens, não se considerando reservado unicamente aos candidatos ao sacramento da Ordem".

Advento: Origem

A primeira referência ao "Tempo do Advento" é encontrada na Espanha, quando no ano 380, o Sínodo de Saragossa prescreveu uma preparação de três semanas para a Epifania, data em que, antigamente, também se celebrava o Natal. Na França, Perpétuo, bispo de Tours, instituiu seis semanas de preparação para o Natal e, em Roma, o Sacramentário Gelasiano cita o Advento no fim do século V.
Há relatos de que o Advento começou a ser vivido entre os séculos IV e VII em vários lugares do mundo, como preparação para a festa do Natal.
No final do século IV na Gália (atual França) e na Espanha, tinha caráter ascético com jejum, abstinência e duração de 6 semanas como na Quaresma (quaresma de S. Martinho). Este caráter ascético para a preparação do Natal se devia à preparação dos catecumenos para o batismo na festa da Epifania.
Somente no final do século VII, em Roma, é acrescentado o aspecto escatológico do Advento, recordando a segunda vinda do Senhor e passou a ser celebrado durante 5 domingos.
Só mais tarde é que o Advento passou a ser celebrado nos seus dois aspectos: a vinda definitiva do Senhor e a preparação para o Natal, mantendo a tradição das 4 semanas. A Igreja entendeu que não podia celebrar a liturgia, sem levar em consideração a sua essencial dimensão escatológica.
Surgido na Igreja Católica, este tempo passou também para as igrejas reformadas, em particular à Anglicana, à Luterana, e à Metodista, dentre várias outras. A igreja Ortodoxa tem um período de quarenta dias de jejum em preparação ao Natal.